Como eu uso o Evernote para organizar a pesquisa da tese

Penso em escrever sobre o Evernote desde que criei o blog. Não ando muito disciplinada com as postagens por aqui (como devem ter percebido, hehe), mas resolvi retomar hoje, dia em que estou bem produtiva e cheia de ideas, achando que tem jeito pra tudo nessa vida.

Nem todo dia é assim, então, gosto de aproveitar esses momentos de positividade / good vibes pra tentar desenvolver os projetos que ficam em segundo plano na maior parte do tempo.

brainstorming-header-evernote

Reprodução / blog.evernote.com

Eu conheci o Evernote há alguns anos sem entender direito para quê ele servia ou como usar. Ele serve para muita coisa, na verdade, desde criar listas, anotar ideias, salvar digitalmente informações que estão impressas, enfim, muita coisa.

Não pretendo explicar como ele funciona aqui, há vários jeitos de usar, na verdade. Vou sugerir que leiam o blog do Evernote e acessem o canal deles no YouTube, tem informação bacana lá.

Foi só depois que passei a acompanhar o blog Vida Organizada, em 2015, que aprendi a torná-lo uma ferramenta útil de trabalho. Na época, eu estava muito empolgada com a metodologia GTD (Get Things Done) e achei que ia resolver todos os problemas da minha vida com ela (hahaha). Bem, acabei abandonando o GTD pela complexidade do processo, que me tomava mais tempo pra organizar do que pra fazer as coisas mesmo. Mas o que aprendi sobre o Evernote, segui usando.

Vou listar as funções que mais utilizo e explicar como organizo a pesquisa do doutorado a partir delas:

Catalogar referências por palavras-chave

Basicamente, o Evernote tem cadernos e etiquetas – tags – e você pode categorizar os arquivos com múltiplas etiquetas, criando um sistema organizado tanto pelo tipo de caderno, quanto pela temática das tags, por exemplo.

É muito, muito útil quando preciso localizar um texto ou artigo e não lembro o título, ou autor, mas sei do que se trata. O problema é que dá um trabalhinho criar todas as etiquetas e lembrar de categorizar todos os textos e arquivos salvos, mas vale a pena porque fica bem mais fácil para recuperar informação.

Salvar links para ler depois

Acho que é a função que eu mais uso. É preciso baixar uma extensão para o navegador, que é o Evernote Web Clipper.

Essa ferramenta ajuda muito a não dispersar navegando pela internet ou lendo coisas que não são urgentes, mas passam pela gente no Twitter ou no Facebook. Principalmente para pesquisas que demandam um bom tempo on-line, como na minha, sair clicando de link em link é um belo jeito de se perder e perder o foco.

Com a extensão instalada, você pode capturar artigos ou páginas inteiras da web (com links e tudo) para o Evernote e deixar lá para ler depois, sem medo de perder o link no turbilhão de informações das timelines da vida.

ler-quando-tiver-tempo

344 textos na pasta “Ler quando tiver tempo”. OUCH!

Na imagem acima dá pra visualizar mais ou menos a organização por cadernos (pastas). Eu salvo esses textos no caderno “Ler quando tiver tempo” e costumo ler um ou dois por dia, naqueles momentos em que a cabeça fica cansada e você levanta para fazer um café – dá pra ler enquanto espera a água ferver.

Como também tenho o Evernote no celular e ele sincroniza tudo, dá pra ler em fila de banco, sala de espera de médico, intervalo de aula… É útil principalmente quando a gente esquece de carregar um livro ou o Kindle.

Salvar referências on-line importantes para a pesquisa

Na maioria das vezes, eu deleto os textos salvos depois que leio, não vejo necessidade de deixar tudo arquivado. Mas tem alguns que podem vir a se tornar importantes para a pesquisa, ou fazem parte da coleta de dados, por exemplo.

Na imagem acima dá pra ver uma pasta “Fosfopolêmica” que criei quando escrevi um artigo sobre as notícias acerca da fosfoetanolamina nos sites do jornal O Globo e da Folha de S. Paulo. Às vezes eu não tinha tempo de ler na hora, mas salvava lá e já categorizava  para ler e analisar com calma depois. Idem para a pasta “Jogos Olímpicos”, com material de pesquisa sobre a hashtag #somostodosparalímpicos.

(Os dois artigos ainda não estão disponíveis, depois coloco o link aqui!).

Escrever fichamentos

Eu poderia escrever ficamentos no Word, claro, mas gosto de escrever no Evernote porque, se um dia meu computador explodir, sei que tudo vai estar disponível na nuvem, com menos chances de eu simplesmente perder tudo. Gosto também de poder categorizar cada fichamento pelo nome do autor e etiqueta, reunindo os fichamentos de um mesmo tema e facilitando na hora de escrever.

Meus fichamentos geralmente têm trechos inteiros copiados, nos casos em que o livro não é meu (peguei emprestado de alguém ou da biblioteca,por exemplo). Quando eu tenho o livro em casa, faço o fichamento mais em formato de resenha, com algumas anotações de trechos que podem ser úteis pra tese, sem me preocupar tanto em copiar trechos inteiros. Dá para fazer a busca no Evernote pelo conteúdo das notas também, o que é ótimo!

Eu sei que existem outras ferramentas que são tão úteis quanto e até mais fáceis de usar do que o Evernote. O próprio Google Drive resolve com tranquilidade parte das funções que eu descrevi aqui. Mas gosto de poder usar o Evernote off-line e, principalmente, da facilidade de categorizar os textos por etiquetas.

Ah, e eu uso uma versão paga porque ano passado eles fizeram uma promoção e acabei pagando para poder salvar um número maior de artigos por semana. Mas não faz tanta diferença assim, dá pra se virar bem com a versão gratuita.

Para quem quer se aprofundar, vale a pena passear pelo blog da Thais Godinho.
Anúncios

Como a rotina pode ser aliada da produção intelectual

capa_livro-ritualsRecentemente, terminei de ler Daily Rituals, que detalha a rotina de trabalho de escritores, artistas, cientistas e personalidades das mais diversas áreas. Ao tratar de diferentes modos de desenvolver uma rotina criativa e produtiva, o livro expõe também os dilemas de pessoas que, tendo muito ou pouco tempo livre, acharam um meio de fazer o melhor possível com suas horas produtivas e se tornaram referência em suas áreas de atuação.

O compilado traz a rotina de Karl Marx, Woody Allen, Agatha Christie, Leo Tolstoy, Charles Dickens, Pablo Picasso e Oliver Sacks, além de outras dezenas, muitos que eu nem conhecia. O livro é bacana, porém, raso. O ponto alto foi perceber a relação da rotina dessas pessoas com sua produção intelectual. Há casos em que os autores citados se forçavam a escrever um número mínimo de páginas por dia, ou passar um determinado tempo em frente à tela em função de produzir algo, mesmo que depois fosse descartado.

São ótimos exemplos que mostram que “inspiração” é uma falácia, e que a maioria das mentes brilhantes e criativas citadas se dedicaram e ainda se dedicam a longas horas de estudo, treino, prática e pesquisa, com horários rigorosos para comer, dormir e se divertir. Rotina é fonte de produtividade. Não tem milagre, não tem desculpa. Tem organização e suor. E um pouco de diversão, pra manter a criatividade em alta.

Rotina (criativa?) de pesquisa científica

Ao contrário de pesquisadores das Ciências Biológicas, da Saúde, da Terra e até das Exatas – cujo trabalho de pesquisa frequentemente está relacionado à permanência em laboratórios, realização de testes e pesquisas de campo -, nas Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas é mais comum que as pesquisas tenham um grande período dedicado à leitura e à escrita, ainda que também possam incluir trabalhos de campo e atividades laboratoriais.

Eu sempre me pego pensando sobre essas diferenças quando as pessoas me perguntam o que estou fazendo no doutorado, sobre o que é minha pesquisa e, afinal, o que é que eu FAÇO mesmo. Bem, eu leio muito. Também acompanho a comunidade que compõe meu objeto de estudo em sites e redes sociais, tomando nota de suas ações, diálogos, parcerias e atividades (uma das vantagens de estudar coisas da internet é poder fazer tudo isso sentada no conforto do lar). A maior parte do tempo, passo em frente ao computador, lendo, escrevendo, lendo mais um pouco.

Eu poderia fazer minha pesquisa de qualquer lugar do mundo, mas acho que minha casa é o local que mais me dá estrutura para trabalhar. Seria um sonho ter um espaço de trabalho adequado na UFMG mas, ultimamente, não temos nem acesso ao prédio ou à biblioteca, então, a gente se vira com home office mesmo. O que eu fiz ao longo desse primeiro ano do doutorado foi tentar estabelecer uma rotina de trabalho diária, de segunda a sexta, para não deixar as tarefas acumularem e os prazos me atropelarem.  Nos fins de semana, me permito descansar sem sentimento de culpa. Mas, se for preciso, passo sábados e domingos inteiros em função de um artigo, por exemplo.

Pra mim, a ideia de ter uma rotina é muito importante. Hora pra dormir e hora pra acordar. Por mais flexível que seja meu dia, tento fazer as coisas dentro do projeto semanal de trabalho, dando alguma margem para mudanças, mas sempre voltando ao plano. Vários detalhes fazem a diferença, vou compartilhar alguns a seguir:

Dormir bem é fundamental.

Acordar bem disposta, também. Eu durmo 8 horas por noite. Sempre ou quase sempre. Durmo cedo: às 22h já estou deitada, mesmo que eu fique lendo por mais uma hora, até às 23h, em média. Geralmente, essa leitura da noite não é acadêmica, é por prazer. Não leio para estudar à noite, leio porque gosto.

Ler por prazer é necessário

Não entendo os colegas que dizem que passam quatro anos do doutorado sem ler nada que não seja relacionado à tese. Ler seu autor preferido, ler poesia, ler literatura estrangeira, qualquer coisa que ajude a distrair e aliviar a pressão da pesquisa é importante e faz bem – inclusive, amplia seu vocabulário e ajuda a aprimorar a redação. As pessoas têm tempo pra fazer maratona de série e não têm tempo pra ler por prazer? É uma questão de escolha, né? Eu tento ler pelo menos um livro novo por mês e leio vários ao mesmo tempo (registro tudo no Skoob, pra quem quiser saber o que ando lendo).

Em que período do dia você é mais produtivo?

Isso vai de cada um, mas meu trabalho sempre rende muito bem pela manhã. Como eu durmo cedo, consigo acordar cedo (ainda que mal humorada) e, geralmente, trabalho de 8h às 12h com muita concentração, resolvendo várias coisas ao mesmo tempo. É meu melhor período para ler estudando, quando tenho mais foco. Vai de cada um perceber que período do dia ou da noite é mais produtivo e tirar melhor proveito dessas horas. À tarde eu geralmente resolvo coisas “na rua” ou vou pra Universidade (tem monitoria, grupo de pesquisa, enfim, outras atividades…).

Para se organizar: aplicativos, agenda, tabelas…

Eu uso um aplicativo gratuito chamado Todoist que tem feito maravilhas na minha rotina. Ele funciona no celular e sincroniza com o computador. Não abro mão das agendas de papel, mas o aplicativo é prático porque permite inserir tarefas recorrentes (Ex.: Todo dia de manhã, levar o cachorro pra passear) e ordená-las por prioridade (o passeio do cãozinho é SEMPRE a primeira coisa do meu dia porque, se ele não passear, não me dá sossego para trabalhar). Na agenda eu coloco informações mais detalhadas sobre as tarefas, no app, geralmente só um lembrete. Tem gente que prefere anotar tudo no seu celular. Mas não dá pra confiar só na memória quando se tem um zilhão de coisas para fazer, leituras para organizar, providências e prazos pra cumprir.

Rituais diários para uma vida organizada

Ainda vou fazer um outro post sobre como o Todoist e o Evernote me ajudaram a ser mais produtiva nos estudos e na pesquisa. Para quem quiser ler mais sobre rotina e produção acadêmica / intelectual, separei mais alguns links:

Imagem de destaque: gastronomista.com.

Por que é importante divulgar ciência?

Eu já fui interpelada por mais de uma vez nesse primeiro ano de doutorado sobre “por que divulgar ciência é importante”. Houve momentos em que entendi a pergunta como uma crítica positiva, que contribuiu para que eu entendesse melhor meu próprio projeto de pesquisa. Mas também houve casos em que as pessoas estavam provocando porque não viam muito sentido em comunicar ciência, muito menos em estudar esse processo. Para que perder tempo com isso, afinal?

Ainda me surpreendo com quem não vê importância na divulgação científica.

Percebo que a discussão em torno do papel das redes sociais digitais para a divulgação da ciência é muito presente na vida de pesquisadores no exterior enquanto, aqui no Brasil, limita-se a engajados na área que nem sempre ‘fazem’ ciência, ou seja, são comunicadores mas não estão nas Universidades como professores, não ocupam cargos nos órgãos de pesquisa. Eu não digo isso pejorativamente, é só uma constatação a partir da observação – eu sou uma dessas pessoas. Mesmo com todos os incentivos à popularização da ciência na última década, são raros os pesquisadores brasileiros que estão na ativa nas Universidades e ainda desenvolvem atividade de divulgação de suas próprias pesquisas no Twitter, Facebook, blogs e afins.

Curiosamente, ontem tive acesso a um texto publicado no New York Times que orientava pesquisadores a saírem das redes sociais para terem sucesso em suas carreiras. Cal Newport diz lá com todas as letras: “You should quit social media because it can hurt your career” e sai argumentando que as redes sociais fragmentam nossa atenção e que o tempo do pesquisador deveria ser melhor aproveitado na pesquisa:

If you’re serious about making an impact in the world, power down your smartphone, close your browser tabs, roll up your sleeves and get to work.

UFMG discute divulgação científica do ponto de vista do Jornalismo

Nesta terça-feira, 2 de agosto, Bernardo Esteves, jornalista da revista Piauí e Mariluce Moura, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), participam da aula inaugural da Formação Transversal em Divulgação Científica. Aberta ao público, a atividade será realizada no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, campus Pampulha, com transmissão pelo www.ufmg.br/aovivo, a partir das 14h, sem exigência de inscrição prévia.

O jornalista Bernardo Esteves foi editor da versão eletrônica da revista Ciência Hoje e há mais de cinco anos escreve sobre ciência para a revista Piauí. “Quero discutir a contribuição que o jornalismo narrativo pode dar para a popularização da ciência e para incentivar sua percepção como parte integrante da cultura”, disse.

Se falta formação qualificada aos jornalistas, um dos caminhos para enfrentar essa realidade é a inclusão de disciplinas que debatam a divulgação científica nas grades curriculares, segundo Mariluce Moura, que vai abordar o jornalismo científico em sua dimensão institucional. Com aproximadamente 30 anos de profissão, ela é responsável pela criação da Revista Científica Fapesp e o desenvolvimento do projeto de divulgação científica ‘Ciência na Rua’, direcionado para jovens de 14 a 25 anos.

A Formação Transversal em Divulgação Científica atende à demanda de temáticas transdisciplinares na graduação da UFMG. O curso visa produzir conhecimentos básicos sobre pesquisa científica e suas diferentes formas de produção nas várias áreas do conhecimento, e também preparar os alunos de forma que se sintam capacitados para explorar e discutir possíveis relações entre ciência, tecnologia e sociedade. A Formação Transversal em Divulgação Científica é uma iniciativa das diretorias de Divulgação Científica (Proex) e  de Produção Científica (PRPq).

Mais informações sobre o curso no https://www.ufmg.br/meulugar/curriculo-transversal/ e através da página no Facebook.

Serviço: Aula inaugural da disciplina Formação Transversal em Divulgação Científica
Dia: 02 de agosto de 2016
Horário: 14h às 18h
Local: Auditório 1 e 2 (transmissão) da Faculdade de Ciências Econômicas, no campus Pampulha da UFMG com transmissão pelo https://www.ufmg.br/aovivo

Via Cedecom/UFMG.

Três artigos em três semanas

Ontem meu marido perguntou quantos artigos eu estava escrevendo, porque toda hora eu comentava sobre um ou outro e ele estava ficando confuso. Poucos minutos antes, em uma troca de mensagens com uma colega do doutorado, listei as pendências para as próximas semanas “de férias”: são quatro prazos de entrega, um por semana, de dois eventos diferentes, um periódico com chamadas abertas e um trabalho final de disciplina do primeiro semestre de 2016. Sem contar os dois trabalhos que já foram entregues na semana passada.

Aí eu entendi, de fato, a tal da produtividade acadêmica.

É a primeira vez que passo por isso. No mestrado, eu não tinha bolsa. Estava trabalhando e só de ir às aulas em outra cidade, conseguir ler os textos indicados para as disciplinas e entregar os trabalhos finais, já me sentia super vitoriosa.

Mas agora é diferente. Além de eu ser bolsista e ter que preencher o relatório anual de produtividade, sinto que PRECISO produzir para que todo o esforço do doutorado não seja em vão. Os processos seletivos para docentes em comunicação estão cada vez mais competitivos e um Lattes recheado faz a gente sair na frente na hora da classificação.

Mas produzir nem é o grande problema, sabe?

Nesses últimos dias percebi que sentar e escrever sobre as coisas que a gente gosta e sobre questões que nos instigam é, na verdade, um grande prazer. É ser pago para fazer o que você mais gosta: ler, estudar, pesquisar. É um privilégio poder me dedicar integralmente a isso, pois sei que muitos colegas gostariam de fazer o mesmo e, no entanto, a falta de bolsas de estudo faz com que eles passem 40h semanais em seus empregos, deixando pouco tempo para a produção acadêmica.

Mas eu confesso que chegar ao fim do semestre depois de cursar três disciplinas, participar de todas as reuniões do grupo de pesquisa e de outras discussões de interesse na Universidade é bem exaustivo. Essas atividades acabam por tomar bastante tempo e energia, sem contar os deslocamentos, as funções burocráticas e os compromissos voluntários que assumimos nessa caminhada. Deixo aqui um abraço e o registro de minha admiração pelos colegas que estão encarando a rotina de trabalhar e se doutorar, principalmente para os que moram e trabalham em outra cidade.

Fato é que estou percebendo que escrever artigo é fácil, desde que a gente tenha tempo livre para isso (livre de outras preocupações acadêmicas, de leituras paralelas que, embora interessantes, nem sempre ajudam com o problema de pesquisa, livre de atividades administrativas que não contribuem para a reflexão crítica sobre o objeto de estudo).

Entendo cada vez mais os professores que aguardam ansiosamente pelas férias para, finalmente, poderem produzir. Parece que é nesses intervalos da vida acadêmica, quando os compromissos oficiais estão suspensos, que a gente tem tempo e disposição para contemplar a tela em branco e colocar em texto as ideias que estão soltas na mente.

Esse texto não tem a intenção de ser um mimimi acadêmico, quis apenas compartilhar um pouco da minha rotina, a partir da minha experiência. Pode ser que outras pessoas não sintam o mesmo e seria bacana ouvir o que têm a dizer (é só opinar nos comentários).

Boteco da ciência

BH é conhecida como “a capital dos bares” e, na próxima semana, os botecos vão receber pela primeira vez o “Pint of Science“, evento mundial de popularização da ciência que convida cientistas a apresentarem suas pesquisas em bares, restaurantes e cafés da cidade.

O evento vai mobilizar sete cidades brasileiras nos dias 23, 24 e 25 de maio e acontecerá simultaneamente em mais 11 países.

Confira a programação em Beagá:

programacao-pint-of-science.598-690

Vídeo de divulgação do Pint of Science:

Vem aí a segunda edição do “Fala, Ciência!”

INSCRIÇÕES ENCERRADAS! Em 24h, as 70 vagas para o curso foram preenchidas! Vai ser um sucesso e vou tentar compartilhar o máximo de informações aqui no blog depois.

A Rede Mineira de Comunicação Científica (RMCC) realiza, no dia 2 de junho, a II edição do Fala Ciência: Curso de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia.

Como podem ver na foto de destaque, eu participei da primeira edição, apresentando um módulo em parceria com meu grande amigo, professor, pesquisador e editor da Revista Minas Faz Ciência, Maurício Guilherme Silva Jr (Maurice para os íntimos). Foi um sucesso, uma experiência super enriquecedora de trocas de experiência sobre divulgação científica.

O curso é destinado a profissionais que trabalham ou se interessam pela divulgação da ciência e da tecnologia. São 70 vagas, então, corra para garantir sua inscrição gratuita neste formulário. A segunda edição contará com a ilustre presença do Atila Iamarino, do canal Nerdologia, e da professora e pesquisadora Lorena Tárcia, especialista em tecnologias digitais para a comunicação, dentre outros convidados.

Programação:

8h: Credenciamento

8h45: Apresentação Institucional – Coordenador da Rede, Presidência FAPEMIG e Representante da Sectes.

9h às 10h15: Módulo I – Tópicos importantes para o divulgador de CT&I cobrir temas relacionados à Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia. Como falar sobre startups, spin off e sobre temas relacionados. Palestrante: Aluir Dias

10h15 às 10h30: Coffee break

10h30 às 11h45: Módulo II – O uso de Ferramentas Digitais na Cobertura de Ciência, Tecnologia e Inovação. Tendências e novas ferramentas usadas em coberturas de canais especializados e pela grande mídia. Palestrante: Lorena Tárcia

11h45 às 13h15: Almoço

13h15 às 14h30: Módulo III – Especificidades na cobertura jornalística de temas relacionados à CT&I. Como os estudos de recepção pública da Ciência ajudam o divulgador a pensar o conteúdo adequado para o seu público. Palestrante: Valéria Raimundo

14h30 às 14h45: Coffee break

14h45 às 16h: Módulo IV – As plataformas digitais como alternativa para dar visibilidade a conteúdos de Ciência, Tecnologia e Inovação. A experiência do Canal Nerdologia e no blog Rainha Vermelha na cobertura científica. Palestrante: Atila Imarino

16h às 17h: Apresentação de Plataformas de referência para o Comunicador Público de CT&I. Apresentação da Nova plataforma do DataViva e do Portal do Simi. Rafael Pessoa (DataViva), Fernando de Lucena (Simi)

17h30: Encerramento e entrega dos certificados

O curso vai ser ministrado de 8h às 18h, na sede da FAPEMIG (Avenida José Cândido da Silveira, 1500, Horto). Clique aqui e saiba mais sobre os palestrantes no site da FAPEMIG.

Por que fazer um diário de pesquisa on-line?

Além do potencial para proporcionar diálogos e colaborações de pesquisa, conforme comentei no meu primeiro post, criar o hábito de escrever um diário dos estudos da tese é também ajuda a organizar as ideias e juntar em um só lugar referências valiosas para você e outros pesquisadores da área.

socia_media_academicsMark Carrigan, autor do livro “Social Media for Academics” (que não li), publicou, em 2014, no blog The Sociological Imagination uma lista com 7 maneiras de usar um blog como diário de pesquisa, que reproduzo abaixo, em tradução livre e com alguns comentários pessoais:

  1. Registrar trechos impactantes de textos que você pode vir a usar mais tarde. Muitas vezes a gente lê algo numa disciplina no primeiro semestre do Doutorado que é tipo UAU! Mas, anos depois, é difícil lembrar de onde vem a referência. Escrever sobre os livros e textos que chamam sua atenção quando a pesquisa ainda está nas fases iniciais é uma maneira de não deixar essas ideias se perderem no tempo. Tem um ganho prático também, que é construir uma espécie de “arquivo de fontes” que podem ser facilmente acessadas por você e outros pesquisadores;
  2. Capturar ideias e insights que surgem quando você se engaja com as ideias dos outros. Sim, porque a construção de uma tese é um trabalho colaborativo, seja com os colegas de sala de aula, com o orientador, com outros professores – e, por que não, com quem comenta no seu blog. Ok, comentaristas de blog são uma espécie em extinção mas só de saber que algo que você vai escrever pode vir a ser lido por alguém, já faz com que você tenha mais cuidado com o texto, tornando-o mais didático e de fácil compreensão;
  3. Sessões de brainstorming em resposta a ideias ou temas específicos. Nesse caso, acho até que as redes sociais como Facebook e Twitter podem ajudar mais: você joga uma questão no seu perfil e pede a amigos e pesquisadores para comentarem, darem opinião. Depois, reúne as respostas e compila as contribuições em um post, colocando também suas próprias análises sobre o tema;
  4. Reflexões abertas sobre tópicos específicos. Você também pode chamar de “desabafos acadêmicos”, rs. Mas a ideia é postar sobre questões que ocupam sua mente  e que você não sabe ou não tem, necessariamente, uma resposta “certa” para elas. É como escrever um post sobre “Reflexões sobre edição de livros e periódicos” e opinar a respeito sem estar preso às amarras do texto acadêmico;
  5. Compartilhar o que ficou de fora dos seus papers. Nem tudo o que escrevemos em artigos ou propostas de apresentação de trabalho se salva até a publicação final. São tantos processos de edição, comentários, cortes-para-caber que parágrafos interessantes podem ser deixados de fora, ainda que tenham algo interessante a ser explorado. Não descarte suas ideias no delete, traga para o diário de pesquisa!
  6. Desenvolvimento de apresentações para conferências. Essa parece com a #3, mas a ideia é aproveitar o blog para fazer uma prévia do tema que você vai apresentar em um evento acadêmico. Um post bem divulgado nas redes sociais pode antecipar dúvidas e questionamentos que você vai enfrentar na hora da apresentação. Serve também para compartilhar os slides depois;
  7. Planejamento de futuras propostas de escrita. O próprio Mark Carrigan admite que essa ideia é questionável, já que você pode acabar vendo sua ideia ser usada por outro pesquisador antes mesmo de conseguir executá-la. Mas, para ele, é um compromisso com um ideal de ciência aberta, que eu particularmente acho bastante justo e necessário (prometo desenvolver melhor em um futuro post).

Mesmo que você não tenha muitos leitores (como eu! rs), o diário de pesquisa é um exercício interessante de compromisso pessoal com os estudos de desenvolvimento da tese, especialmente para aqueles dias em que a paciência está pouca, você não tem motivação, mas é preciso continuar produzindo, refletindo e pesquisando.

Por que criar um blog?

Este não é um blog de divulgação científica, mas um projeto pessoal que pretendo desenvolver publicamente, a fim de ampliar e problematizar minhas reflexões e os debates da comunicação pública da ciência. É o embrião de um projeto maior que venho há tempos planejando, que é ter um espaço para divulgar reflexões e análises sobre a divulgação científica no Brasil, área em que atuo e que se tornou tema de pesquisa no doutorado.

Desde a aprovação no Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFMG, aumentou minha vontade de escrever e de publicizar pensamentos e inquietações sobre a ciência, a pesquisa e a Academia. Decidi não esperar mais “um cenário ideal” (dinheiro para investir em layout e hospedagem de site) para começar a publicar algumas ideias. Espero que mais gente queira embarcar na conversa! =)

Em 2009 e 2010, enquanto cursava o Mestrado no CPDOC/FGV, publiquei diversos posts em um antigo blog sobre a rotina da pesquisa no arquivo da Biblioteca Municipal de Petrópolis, sobre minhas leituras e a descoberta dos textos e autores de História e sobre a experiência de cursar um Mestrado Profissional em uma área diferente da que me formei. Nos anos seguintes, muitas pessoas entraram em contato comigo a partir desses posts, para saber mais sobre o tema, opinar sobre coisas que escrevi, ou compartilhar experiências semelhantes. Toda essa troca foi muito rica e encorajadora e espero que o mesmo aconteça nos próximos 4 anos em que estarei dedicada às pesquisas da tese.

Fique à vontade para deixar seu comentário ou, se preferir, mande um e-mail para cienciaemtese@gmail.com.