O currículo dos fracassos acadêmicos

Esse post está salvo há meses na pasta de Rascunhos e hoje resolvi torná-lo público para marcar o recomeço das publicações. 2018 é ano de escrever a tese pra valer e quero compartilhar mais da minha rotina de pesquisa com meus 5 leitores (hahaha sempre quis escrever isso).

Mas, antes, uma retrospectiva:

Quando passei no Doutorado, em 2016, fui uma das contempladas com a Bolsa Capes Proex, que exige dedicação exclusiva dos doutorandos do PPGCOM/UFMG.

Foi uma oportunidade agridoce de me dedicar inteiramente às disciplinas do primeiro ano e à reescrita do projeto de pesquisa, mas que trouxe também uma grande angústia por achar que nunca estava fazendo o suficiente.

Ser bolsista é se sentir cobrada 24h/7 por um sistema pesado de publicações, focado na produtividade (sem contar que o valor da bolsa, sem reajuste há alguns anos, era bem menos do que eu gostaria de ter para meu orçamento doméstico, o que fez de 2016 um ano financeiramente apertado).

No segundo ano do doutorado (2017), eu tomei a decisão de largar a bolsa da Capes (para espanto de muitos colegas) depois que passei no processo seletivo do Programa de Comunicação Científica e Tecnológica da Fapemig. Esse Programa também paga com bolsas, mas não exige dedicação exclusiva e permite o vínculo empregatício – o que é maravilhoso para quem, como eu, queria trabalhar mais para aumentar a renda familiar.

O saldo dessa mudança é que trabalhando mais eu, obviamente, passei a ter menos tempo para me dedicar à escrita da tese. Isso não quer dizer que eu não tenha produzido.

Como compartilhei no post anterior, eu fiz MUITA coisa em 2017, dei aula, escolhi eventos incríveis para apresentar trabalho, publiquei artigos, escrevi capítulos de livros em parcerias maravilhosas… E fiz um tanto de outras coisas que não estão registradas no Lattes, porque o Lattes só aceita o nosso sucesso e a vida acadêmica é feita de muitos fracassos.

O currículo dos fracassos acadêmicos

Em 2016, ano em que iniciei o doutorado, o professor de Princeton Johannes Haushofer resolveu publicar seu currículo de fracassos acadêmicos para mostrar às pessoas que os erros são tão importantes quanto os acertos em nossa trajetória profissional. Parece frase de autoajuda, mas eu não me lembro de conhecer outros currículos de fracassos, rs. São coisas que a gente esconde, que a gente tem até vergonha de admitir, que a gente não quer que ninguém saiba.

Eu achei esse episódio do currículo dos fracassos brilhante porque me deu uma nova perspectiva para encarar os quatro anos do doutorado.

Lembrei da primeira vez que tentei o doutorado e fui reprovada, de uma seleção para docente em que fiquei entre os quatro finalistas e não fui selecionada, de tantos artigos escritos e rejeitados (aconteceu ano passado, inclusive, e é mais comum do que a gente imagina), de candidaturas a bolsas de viagem para participação em eventos que não deram em nada, de eventos que desisti de ir por falta de grana, mesmo com trabalho aprovado… 

Acho que a lista dos fracassos facilmente é maior do que a lista das conquistas, mas a gente não fala muito disso, né?

Quem olha de fora vê as publicações, as diversas atividades em que estamos engajados, os convites para ministrar disciplinas, tudo o que deu certo na nossa vida acadêmica, mas não tem ideia dos perrengues que passamos e da quantidade de coisas que deixamos para trás e dos momentos em que falhamos. Ninguém é bom o tempo todo, ninguém é só sucesso.

Enfim, acho que pensar nos nossos fracassos acadêmicos é um exercício tão importante quanto preencher o Lattes com nossas realizações, porque é uma atitude de humildade. Para mim, pelo menos, ajuda a aceitar que a carreira acadêmica (como qualquer carreira profissional) não é uma linha reta rumo ao topo, mas uma estrada sinuosa em que a gente dá muita volta até chegar onde quer parar.

E em 2018…

Hoje é o segundo dia do ano e ontem eu fiz meu planejamento de leitura e escrita, tracei algumas metas, defini prazos para mim mesma e espero que tudo saia conforme o esperado. Vou contando por aqui. Mas se não der certo, tudo bem. Tem outras coisas acontecendo na vida e isso também é motivo de celebração, mesmo que não conte pontos no currículo.

Esse post eu dedico especialmente aos meus colegas mestrandos e doutorandos. Quando a vida apertar, lembrem-se:

(Alguém sabe de quem é a foto? O Venâncio disse nos comentários que é um muro da Universidade Estadual do Ceará)
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2 comentários em “O currículo dos fracassos acadêmicos

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