Estamos todos cansados. Você já descansou hoje?

Nesta virada de ano 2018/2019 fiz uma coisa que nunca tinha feito antes: um esforço para ficar “mais offline”.

Por muitos anos, tive muito orgulho de estar “sempre online” – inclusive, usava esta frase para me descrever em sites de redes sociais, como o Twitter.

Mas 2018 foi um ano extremamente cansativo, que tirou muito da minha energia. Motivos não faltaram, desde os pessoais, como doença e desemprego na família, até os políticos e econômicos, que prefiro não comentar.

Para exemplificar a relação entre o cansaço e o fato de estar sempre online, vou me ater a um episódio específico: a greve dos caminhoneiros, no primeiro semestre de 2018. Foram dias de crises agudas de ansiedade, que eu tentava disfarçar consumindo o maior número possível de informações sobre o que estava acontecendo no  país, o que só me deixava ainda mais ansiosa. Taquicardia, insônia, insegurança, medo, tudo veio à tona. Eu cheguei a pensar que nunca mais veria meus pais e minha avó, que moram a quilômetros distância de mim (percebam o nível da alucinação!), e este pensamento foi me consumindo e me deixando mais obcecada por ler mais, por buscar mais informações, por ficar com a TV ligada o dia inteiro para ouvir alguma “novidade”.

Então, no final do ano, achei que valeria a pena me desconectar. Eu tive um ano confuso em 2018. Consegui cumprir metas importantes, como a qualificação da pesquisa da tese, mas sentia que tinha passado a maior parte do ano em suspenso, sem dar conta de tudo o que surgiu no meu caminho. E ficar offline me parecia um passo importante para me reconectar com as coisas que realmente mereceriam minha atenção em 2019.

No dia 21 de dezembro, inspirada pela Instamission sobre Detox Digital, eu deletei os aplicativos do Twitter, do Facebook e do Instagram do celular, bem como outros apps de jogos e serviços que me faziam gastar tempo rolando tediosas timelines. No mesmo dia, peguei a estrada para passar o Natal em família. Em uma semana, reduzi meu tempo no celular em 55% em relação à semana anterior (esse número foi calculado pelo próprio sistema de tempo de tela do celular).

Mas não foi fácil ficar sem os apps. Eu acabava pegando o celular para checar o WhatsApp a toda hora, ou acessar sites de notícias, querendo ter algo para ler enquanto todas as pessoas ao redor permaneciam com seus celulares em mãos. É engraçado querer ficar mais offline quando as pessoas ao redor não estão, você passa a reparar como a gente leva celular para toda e qualquer situação, até para os raros momentos em que estamos matando saudade da vovó, para a mesa da ceia de Natal, para a piscina com a família.

Por que a gente faz isso?

Na segunda semana sem os apps instalados, eu comecei a sentir que tinha perdido muita coisa que meus amigos estavam postando nas mídias sociais: as fotos do Natal, as férias na praia, os preparativos para o ano novo. E resolvi reinstalar os apps do Instagram e do Twitter (Facebook, o que tenho a ver?).

Foi uma tragédia. O tempo de tela logo aumentou em 77% em relação à semana em que eu tinha ficado mais offline. E eu não consegui mais esquecer o celular. E isso não me fez nada bem…

Sociedade do cansaço

A experiência dos poucos dias mais offline no final de 2018 me sinalizou para a necessidade de escolher melhor o que fazer com o meu tempo e a minha energia. Por isso, mesmo tendo reinstalado os apps no celular, quero controlar melhor o tempo que passo lá. Só nesses primeiros dias de 2019 já consegui perceber que quanto menos a gente acessa mídias sociais, menos elas fazem falta. Como trabalho com isso, é claro que não posso abandonar as plataformas, mas estou cuidando melhor da minha presença digital.

Quero ter mais tempo para ler em 2019. Ano passado, consegui ler 36 obras, entre livros acadêmicos, contos, biografias… Textos que me fizeram melhor do que os que circulam na mídias sociais.

Para finalizar, deixo, então, uma sugestão de leitura que acabei de acabar: “Sociedade do cansaço” de Byung-Chul Han.

É um livro difícil mas fala exatamente sobre esse rumo em direção aos excessos que nossa sociedade tomou, que nos torna doentes pelo excesso de positividade. Foi bom para começar o ano.

Que 2019 seja mais generoso com a gente – e que a gente seja mais gentil com a gente  também!

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