Três artigos em três semanas

Ontem meu marido perguntou quantos artigos eu estava escrevendo, porque toda hora eu comentava sobre um ou outro e ele estava ficando confuso. Poucos minutos antes, em uma troca de mensagens com uma colega do doutorado, listei as pendências para as próximas semanas “de férias”: são quatro prazos de entrega, um por semana, de dois eventos diferentes, um periódico com chamadas abertas e um trabalho final de disciplina do primeiro semestre de 2016. Sem contar os dois trabalhos que já foram entregues na semana passada.

Aí eu entendi, de fato, a tal da produtividade acadêmica.

É a primeira vez que passo por isso. No mestrado, eu não tinha bolsa. Estava trabalhando e só de ir às aulas em outra cidade, conseguir ler os textos indicados para as disciplinas e entregar os trabalhos finais, já me sentia super vitoriosa.

Mas agora é diferente. Além de eu ser bolsista e ter que preencher o relatório anual de produtividade, sinto que PRECISO produzir para que todo o esforço do doutorado não seja em vão. Os processos seletivos para docentes em comunicação estão cada vez mais competitivos e um Lattes recheado faz a gente sair na frente na hora da classificação.

Mas produzir nem é o grande problema, sabe?

Nesses últimos dias percebi que sentar e escrever sobre as coisas que a gente gosta e sobre questões que nos instigam é, na verdade, um grande prazer. É ser pago para fazer o que você mais gosta: ler, estudar, pesquisar. É um privilégio poder me dedicar integralmente a isso, pois sei que muitos colegas gostariam de fazer o mesmo e, no entanto, a falta de bolsas de estudo faz com que eles passem 40h semanais em seus empregos, deixando pouco tempo para a produção acadêmica.

Mas eu confesso que chegar ao fim do semestre depois de cursar três disciplinas, participar de todas as reuniões do grupo de pesquisa e de outras discussões de interesse na Universidade é bem exaustivo. Essas atividades acabam por tomar bastante tempo e energia, sem contar os deslocamentos, as funções burocráticas e os compromissos voluntários que assumimos nessa caminhada. Deixo aqui um abraço e o registro de minha admiração pelos colegas que estão encarando a rotina de trabalhar e se doutorar, principalmente para os que moram e trabalham em outra cidade.

Fato é que estou percebendo que escrever artigo é fácil, desde que a gente tenha tempo livre para isso (livre de outras preocupações acadêmicas, de leituras paralelas que, embora interessantes, nem sempre ajudam com o problema de pesquisa, livre de atividades administrativas que não contribuem para a reflexão crítica sobre o objeto de estudo).

Entendo cada vez mais os professores que aguardam ansiosamente pelas férias para, finalmente, poderem produzir. Parece que é nesses intervalos da vida acadêmica, quando os compromissos oficiais estão suspensos, que a gente tem tempo e disposição para contemplar a tela em branco e colocar em texto as ideias que estão soltas na mente.

Esse texto não tem a intenção de ser um mimimi acadêmico, quis apenas compartilhar um pouco da minha rotina, a partir da minha experiência. Pode ser que outras pessoas não sintam o mesmo e seria bacana ouvir o que têm a dizer (é só opinar nos comentários).

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