Por que fazer um diário de pesquisa on-line?

Além do potencial para proporcionar diálogos e colaborações de pesquisa, conforme comentei no meu primeiro post, criar o hábito de escrever um diário dos estudos da tese é também ajuda a organizar as ideias e juntar em um só lugar referências valiosas para você e outros pesquisadores da área.

socia_media_academicsMark Carrigan, autor do livro “Social Media for Academics” (que não li), publicou, em 2014, no blog The Sociological Imagination uma lista com 7 maneiras de usar um blog como diário de pesquisa, que reproduzo abaixo, em tradução livre e com alguns comentários pessoais:

  1. Registrar trechos impactantes de textos que você pode vir a usar mais tarde. Muitas vezes a gente lê algo numa disciplina no primeiro semestre do Doutorado que é tipo UAU! Mas, anos depois, é difícil lembrar de onde vem a referência. Escrever sobre os livros e textos que chamam sua atenção quando a pesquisa ainda está nas fases iniciais é uma maneira de não deixar essas ideias se perderem no tempo. Tem um ganho prático também, que é construir uma espécie de “arquivo de fontes” que podem ser facilmente acessadas por você e outros pesquisadores;
  2. Capturar ideias e insights que surgem quando você se engaja com as ideias dos outros. Sim, porque a construção de uma tese é um trabalho colaborativo, seja com os colegas de sala de aula, com o orientador, com outros professores – e, por que não, com quem comenta no seu blog. Ok, comentaristas de blog são uma espécie em extinção mas só de saber que algo que você vai escrever pode vir a ser lido por alguém, já faz com que você tenha mais cuidado com o texto, tornando-o mais didático e de fácil compreensão;
  3. Sessões de brainstorming em resposta a ideias ou temas específicos. Nesse caso, acho até que as redes sociais como Facebook e Twitter podem ajudar mais: você joga uma questão no seu perfil e pede a amigos e pesquisadores para comentarem, darem opinião. Depois, reúne as respostas e compila as contribuições em um post, colocando também suas próprias análises sobre o tema;
  4. Reflexões abertas sobre tópicos específicos. Você também pode chamar de “desabafos acadêmicos”, rs. Mas a ideia é postar sobre questões que ocupam sua mente  e que você não sabe ou não tem, necessariamente, uma resposta “certa” para elas. É como escrever um post sobre “Reflexões sobre edição de livros e periódicos” e opinar a respeito sem estar preso às amarras do texto acadêmico;
  5. Compartilhar o que ficou de fora dos seus papers. Nem tudo o que escrevemos em artigos ou propostas de apresentação de trabalho se salva até a publicação final. São tantos processos de edição, comentários, cortes-para-caber que parágrafos interessantes podem ser deixados de fora, ainda que tenham algo interessante a ser explorado. Não descarte suas ideias no delete, traga para o diário de pesquisa!
  6. Desenvolvimento de apresentações para conferências. Essa parece com a #3, mas a ideia é aproveitar o blog para fazer uma prévia do tema que você vai apresentar em um evento acadêmico. Um post bem divulgado nas redes sociais pode antecipar dúvidas e questionamentos que você vai enfrentar na hora da apresentação. Serve também para compartilhar os slides depois;
  7. Planejamento de futuras propostas de escrita. O próprio Mark Carrigan admite que essa ideia é questionável, já que você pode acabar vendo sua ideia ser usada por outro pesquisador antes mesmo de conseguir executá-la. Mas, para ele, é um compromisso com um ideal de ciência aberta, que eu particularmente acho bastante justo e necessário (prometo desenvolver melhor em um futuro post).

Mesmo que você não tenha muitos leitores (como eu! rs), o diário de pesquisa é um exercício interessante de compromisso pessoal com os estudos de desenvolvimento da tese, especialmente para aqueles dias em que a paciência está pouca, você não tem motivação, mas é preciso continuar produzindo, refletindo e pesquisando.

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